Este filme de terror está muito bem feito, com os melhores efeitos de sangue jorrando, de maquilhagem e de efeitos digitais, uma excelente cinematografia e uma excelente produção de som.
O espectador deverá ter em atenção que este filme de terror pretende ser uma comédia sobre o terror e não deve ser levado a sério. É qualquer coisa que tem pinceladas de terror com muitas qualidades redentoras.
Um verdadeiro fã da comédia de terror (Este filme esforça-se para o ser), alguém que tenha dois dedos de testa, irá dar algumas risadas, até mesmo algumas gargalhadas, à medida que o filme se vai desenrolando.
Alguma caras conhecidas no elenco, como Priscilla Barnes e o reputado actor veterano Tracey Walter, que nos brinda com algumas falas um tanto intrigantes como dono de um restaurante para camionistas, e regressa no final para ajudar um sobrevivente.
Trailer Park of Terror tem uma loura espampanante no princípio… que teve lugar no trailer park algures em 1980 ou 81, onde Norma (Nichole Hiltz), a nossa loura deslumbrante, nascida do lado errado da vida, é incomodada, repreendida e intimidada pela porcaria do trailer, enquanto tenta livrar-se daquele verdadeiro inferno: o seu namorado Aaron.
Na sua trajectória para se ver livre do parque, a sua história é musicalmente narrada por um roqueiro sulista, com uma guitarra tipo Elvis, um cabelo à Billy Ray Cyrus e uns lábios como os do Billy Idol (desempenhado por Myk Watford). Mas o seu sonho de fuga não se concretiza. Aaron é inadvertidamente eliminado pelo lixo do trailer e, enquanto Norma foge daquela balbúrdia, encontra um estranho e misterioso demónio-roqueiro-sulista-que-veio-para-Georgia (Trace Adkins) que lhe dá um novo bilhete: um bilhete para a vingança, na forma de uma arma.
Mas o seu preço é muito elevado. De volta ao parque dos trailers, Norma trata rapidamente dos que a assediaram e humilharam. A seguir senta-se junto à mulher gorda que abateu com um tiro na boca, liga o gás, acende um cigarro e aguarda pela explosão para que tudo termine. Ao mesmo tempo que canta a sua canção ‘Come to me Satan – Vem a mim, Satanás’.
Salta em frente, através de uma montagem de tiras de jornal e de sinais colocados num quadro que emite clarões através do ecrã, e nós somos guiados para os casos de pessoas desaparecidas.
Finalmente, a câmara um tanto ou quanto nauseabunda chega ao fim e vemo-nos em 2008, no exterior de um restaurante de borda de estrada, onde um autocarro cheio de jovens de uma igreja fez uma paragem para comer e beber, antes de continuarem a sua viagem de regresso de uma semana de procura da salvação, pelas suas várias actividades depravadas.
Aparentemente, a semana de acampamento não resultou. Mas, à medida que o filme de terror avança, eles aprendem sobre aquilo de que se devem arrepender.
Apresentámos brevemente os personagens que nos guiam pelo resto do filme, mas realmente não o suficiente para nos preocuparmos com o que lhes acontece, excepto talvez para o ‘pintinho selvagem’ representado por Jeanette Brox.
Eu sou injusto com os ‘pintinhos selvagens’. Depois de ter roubado pornografia, tentado fazer sexo na casa de banho e uns certos favores na troca de drogas, o coitadinho voltou para o autocarro.
O filme de terror tem a sua conta de diálogos ordinários, evidenciados pela primeira fala imperfeita do miúdo ladrão de pornografia, no autocarro, onde pede para verificar se o seu telemóvel está a funcionar. Ele satiriza mancamente “ Parece uma zona morta!”. Suspiro! Os anúncios duma empresa de telemóveis que rima com horizonte são cómicos, mas essa fala não funciona aqui.
Não vou contar aqui o resto da história. Digo apenas que o autocarro avariou e que uma trovoada fez chover a cântaros, enquanto eles procuravam refúgio no… já adivinharam, no parque de terror dos trailers (Trailer Park of Terror). Ah, o verdadeiro terror apenas começou. Agora somos levados a alguns macabros efeitos sangrentos e, finalmente, uma dose decente de humor.
Vejam, o trailer do lixo ainda lá está, assombrando o local onde morreram, sob a forma de um inferno de zombies de pescoço cortado a ter o seu momento horripilante. Talvez o pedaço mais divertido seja quando o nosso roqueiro-sulista com a guitarra do Elvis e o mau penteado do Billy Ray Cyrus (sem os beiços do Billy Idol, já verá porquê) é atirado à distância quando acidentalmente tropeça, enquanto persegue o ‘pintinho selvagem’ pelos bosques.
Um dos seus compadres tenta abatê-lo com um tubo de fita e com um agrafador. É aí que percebemos que o filme pretende ser uma comédia de terror, e que afinal o é!
As coisas tornam-se um pouco mais bombásticas à medida que o nosso zombie roqueiro aparece subitamente no seu estrado, narrando ao público a cena depravada que se desenrola num dos trailers lá atrás.
E a intensidade eleva-se até ao chocante final. Finalmente o filme de terror termina a crescer sobre o espectador. Bom, ele cresceu sobre mim. Para alguém que tenha dois dedos de testa, é apenas um espectáculo de um certo tipo. Teve partes divertidas, e está muito bem feito. Se calhar, vou vê-lo outra vez.
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